Numa altura que o País está de joelhos perante um conjuntura económica e financeira sem qualquer contributo para os valores sociais, vê-mos os nossos dirigentes políticos a deitar galhardetes uns aos outros.
Entendo que a politica seja isso, pelo menos um pouco, afinal não é em todas as profissões/tarefas que se consegue falar durante horas e não se dizer nada. Contudo, custa-me acreditar que esta seja a altura apropriada para isso.
Muitas são as vozes que referem que a intervenção internacional era dispensável. Era sem dúvida dispensável, caso houvesse entendimento politico e com a aprovação do PEC IV e outros que viessem. As medidas que provavelmente virão, serão muito mais agressivas que as previstas e com as quais teremos de viver nos próximos anos.
Com esta atitude, irracional, desmedida, despropositada, e infantil, podemos antever vários cenários.
Que os Portugueses não sabem governar a própria nação, lembro apenas que nos inícios dos anos 80 tivemos uma intervenção internacional;
Que assistimos a uma verdadeira degradação dos valores sociais, onde a qualidade de vida e tudo o que ela envolve é colocada em segundo plano em função de valores materiais e da especulação financeira;
Que a nossa representação ao mais alto nível, não é nada mais do que um espelho real da sociedade em que vivemos, dispersa, dividida, sem valores;
Espero sem dúvida que neste momento de insegurança e fragilidade, saibamos agir da melhor forma e ainda que, nas eleições que se avizinham, cada um pense não nos ideais políticos mas sim no que será melhor para a Nação. Vamos mudar novamente fazendo jus ao ditado: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!”, não me parece correcto. É importante reflectir porque razão estamos a mudar. Porque não acreditamos que seja o melhor caminho? ou Porque não gostamos e temos medo da forma como isso nos possa afectar?
Sugiro uma retrospectiva sobre o plano político nestes últimos 20 anos e retirem as vossas próprias conclusões.
Incompetentes, gatunos, aldrabões são estes, entre muitos, os nomes atribuídos aos nossos governantes …..Mas esquecemo-nos de que são eleitos por nós e que nos momentos em que devemos exercer os nossos direitos cívicos, preferimos estar na praia ou em casa e não contribuir.
É de facto uma característica bem portuguesa, criticar e não fazer nada…….
Não nos adianta constatar factos que todos sabem e lamentar estes últimos 20 anos de má governação. Adianta-nos sim, ter em cima da mesa um ponto de situação real e fiável e criar ou tomar medidas para ultrapassar esta situação.
Fugir para o exterior, creio que esteja fora de questão, o que faremos lá fora também o podemos fazer por cá.
Para além de tudo isto não nos podemos esquecer que vivemos num mundo em que as grandes potências, são quem ditam o rumo das economias e estados mais pequenos.
Infelizmente o Projecto da União Europeia, não está a tomar o rumo que devia. Pretendia-se uma comunidade forte, coesa, capaz de enfrentar todas as adversidades, melhorar a qualidade de vida as populações dos Estados Membros, assim como diminuir as desigualdades sociais.
Talvez esta falha não se deva apenas a uma falta de firmeza dos dirigentes europeus, mas também pelo facto de que por melhor seja a ideia, existem características que nos separam uns dos outros.
Não se pode equiparar uma mentalidade Sul a uma do Norte. Sabemos perfeitamente que os países do Sul da Europa sempre tiveram uma orientação mais tradicionalista e uma certa resistência à mudança.
Colocar Povos e Nações tão diferentes no mesmo “saco” foi definitivamente um erro? Não foi. Juntamente com a Espanha, e a Grécia, não soubemos progredir e preferimos viver no nosso canto como se nada fosse. O cansaço das economias do norte face à passividade das do sul, origina rupturas e poderá deixar por terra o grande projecto que a velha guarda idealizou.
Voltando ao plano nacional, sugiro que os actuais dirigentes partidários aprendam alguma coisa com a velha guarda, que tão sabiamente souberam relançar a nossa economia numa economia aberta e desenvolver o país de forma extraordinária e exemplar. Pena que não se souber continuar…
Acredito que muitos dos sonhos que os jovens portugueses poderiam ter, se esfumaram e talvez voltem um dia acompanhados de S. Sebastião num dia de nevoeiro.
Acredito também na confiança, capacidade de inovação, criatividade do nosso Povo. Acredito mais ainda em mim próprio, que apesar de não ser fácil e de dividir o mundo com um mundo, poderei concretizar o que sonhei…..e continuarei a sonhar.
Vivemos enquanto os sonhos não terminarem….Bons Sonhos!
Obrigado e até à próxima…..
© [2010]César de Oliveira
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